Ou se partirá amanhã
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
que descolorirá
Ou se partirá amanhã
sensatez

as cidades se erguem em pleno concreto
as pessoas passam sem se olharem
mesmo que por segundos
A vida segue adiante!
o passado não pode ser melhorado
não há presente, não há futuro.
A vida segue adiante!
o minuto em que dou esmola ao catador de papel que diz ter fome logo é substituído por mais um dia normal.
A vida segue adiante!
entre o concreto há outros tantos
total estrago do coração
da visão
do sentimento
amanhã não mais me lembrarei de você
A vida seguiu adiante!
na multidão de pessoas que andam pelas ruas não vejo ninguém
passo por você e não mais o reconheço.
permaneço sensata e só.
Senhor! arranca do meu corpo esse juízo
eu que nem sei se tenho juízo
ou corpo
terça-feira, 27 de setembro de 2011
sem título, sem nada
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
de onde vem a calma
“De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão”
E vem sem gosto de viver.
E não tem mais a força que tinha.
E dele nem mesmo me lembro o nome.
Não poderia perder esse tempo por nada.
Mas o tempo é a única coisa que se perde.
E não há velha casa, nem velha marca, nem velho coração.
Nem coração.
Comece por uma nova vida e uma nova canção.
Lembre-se de jogar as chaves fora.
Lembre-se de fechar a janela do quarto para que ninguém entre.
Não arranje desculpas, não peça para voltar no tempo, não diga que não deu certo.
Do certo e do errado só a gente que sabe.
E a gente nem sabe.
Lembre-se de jogar as chaves fora.
Lembre-se de fechar a janela do quarto para que a fumaça não saia,
E se você vai embora, vai bem, e tente não voltar.
E se desta vez ela é a senhora, não demora a volver.
Pare de cantar a velha música
e ouvir a velha música
e olhar para mesma porta em que um dia você a viu partir.
Tens agora a certeza do momento inteiramente vivo.
Ainda que falso construído.
A verdade simples tão exposta que é vista a olho nu.
A verdade mentira inteiramente exposta.
Como a ferida que um dia lhe causaram.
Tenha dó,
Entre Deus e o Diabo não há grande diferença.
E quis duvidar de todo o nada que sentia.
E chegou a pensar que esse nada pudesse ter sido causado pela demora ou recusa de outrem.
E nem mesmo chegou a pensar que é do nada que surgem as grandes coisas.
E não há TV para devolução.
E nem a Santa Chuva que já passou por aqui.
E a Flor serviu para que você encontrasse outro alguém.
E Deixa Estar Que O Que For Pra Ser Vigora.
E que seu barco encontre outro cais.
Que da vida e do amor eu nem sei mais.
Lembre-se de jogar as chaves fora.
Lembre-se de fechar a janela do quarto que quando o outro perfume sair vai ser pra não mais voltar.
domingo, 25 de setembro de 2011
último romance
E até quem me vê
Lendo jornal
Na fila do pão
Sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá
Que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor
A gente é quem sabe, pequena...
Depois da primeira vez que a viu, pensou que seria realmente o fim dos encontros organizados pela ordem errada do universo, uma vez que, pessoas legais poucas vezes eram vistas. Somente uma semana depois os pensamentos entraram na ordem correta em sua cabeça, e foi quando notou que na verdade aquele pode não ter sido um encontro casual. Em algum lugar, com hora e data agendada estava marcado que eles se encontrariam, e disso não poderia fugir.
Tanto foi que depois que colocou as coisas em ordem na sua cabeça, lembrou-se que na verdade já havia encontrado com ela em outra ocasião, ocasião esta, que ela não se lembraria ainda que fizesse grande esforço.
Na noite seguinte, ainda na tentativa de estabelecer uma lógica causal, arriscou rememorar suas últimas escolhas, já que, qualquer decisão diferente –inclusive ter decidido não ir tomar café– poderia ter alterado toda ordem de atitudes posteriores, o que faria sem dúvida, que o caminho fosse distinto.
Inútil tentativa, voltou ao mesmo ponto inicial no qual simplesmente a encontrou aquele dia em que decidiu sair de casa para tomar café.Nem gostavam tanto de café, mas contra o destino arrumado pelos deuses nada se pode fazer, e foi então que se encontraram.
Talvez esse tenha sido o dia de todos os outros que se seguiu em que menos foi achado assunto. Destarte, foi o caminho para uma série de novos assuntos que ficaram em entrelinhas de uma conversa nada fortuita.
Mas os deuses que unem nem sempre ficam perto tempo suficiente para evitar que os caminhos tomem rumos opostos. E se é dado ao homem a condição de escolha tudo vai por água a baixo.
...
- Alô?
- Alô, é você?
- Claro que sim, como que você está?
- Do mesmo jeito.
- Então deve estar bem, pois lembro que a última vez que nos vimos você não estava às traças.
- É.
- Né.
- Mas e você, arranjou alguém?
- A gente sempre arranja.
- Ah. Você ainda pensa em mim?
- Só quando me sobra tempo, não é muito.
- Vou ‘praí’ te ver.
...E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar”
sábado, 24 de setembro de 2011
o anjo mais velho
Se encontraram em um dia verão e caminharam pelo parque. E depois disso se viram poucas vezes. Cada dia que passava parecia convergir para um todo em que o amor chegaria ao ápice. Mas nada disso aconteceu. As horas que passaram juntos eram boas, mas não o suficiente.
Ela saiu então pela porta do quarto e decidiu não mais voltar. E talvez hoje ele não pense mais no dia em que ela foi embora. Não trocaram cartas, não deixaram bilhetes, não almoçaram juntos. Viveram duas semanas ou menos, de forma que, agora poucos momentos seriam lembrados.
Virou a página e não houve perseguição em nenhum lugar. Às vezes se encontravam, mas nada que fizesse com que a chama, se é que ela um dia existiu, (re)ascendesse. Talvez em algum momento suas almas se encontravam, naquele exato instante em que nenhum nem outro saía com os amigos, preferindo ficar em casa com seus livros e discos. Mas até nesse momento um poderia impedir que a alma chegasse ao outro lado.
Mas isso não era falta de amor, não era falta de nada. Era o simples deixar-se levar sem nenhum caminho pré-concebido. Sem nenhum caminho já imaginado porque um gesto ou atitude fez com que tudo se rompesse em menos de um segundo. Todavia não se perdeu de forma a fazer com que a atitude do outro causasse repulsa ou desamor. Apenas se foi.
Nenhum motivo importante que justificasse qualquer instante.
De qualquer forma, quando ele deixou que ela passasse pela porta, entregou novamente sua sorte ao acaso, e nesse momento pode ser que algo irremediavelmente tenha se perdido.
"E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você
Mas só enquanto eu respirar."
terça-feira, 20 de setembro de 2011
socorro
E poderia dizer que seu coração voltou ao estado de inércia original. Sem nenhuma força física que o impulsionasse, além do simples bater para bombear o sangue. Só poderia guardar nesse momento ódio, uma vez que, todos os outros laços foram desfeitos .
Mas nem ódio sentia.
Talvez um impulso qualquer de um eu quero estar com você agora que acabaria no minuto da recusa. Não há motivo afinal, para qualquer demonstração de sentimentos, não há sequer motivos para se ter.
Não há vida lá fora, tudo se passa dentro da História de um livro qualquer, ou dos amores platônicos que decide e (des)decide ter quando bem entende.
E seu corpo não deixaria de ser um depositório de prazer, estes verdadeiros. Em qualquer momento.
E agora aceitaria qualquer convite descompromissado – e somente estes – para uma noite qualquer . Um simples sanar de prazeres carnais . Momentos sem nenhuma necessidade de repetição.
“Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva.”
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
o mundo é um moinho
“Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és...
E me disseram uma vez que após determinado tempo o coração se acostuma. Pura mentira. Disseram também que quando não utilizado por muito tempo ele morre. Pura mentira. Até me disseram que Deus era amor. E mais uma vez fui enganada. E na vida essas são umas das muitas mentiras que nos contam. Quando na verdade os tombos são cada vez de lugares mais altos, e ninguém se acostuma a cair.
...Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés”
tudo vai ficar bem
Em setembro de 2011 começava-se a desencadear um processo praticamente sem volta. Era o momento em que se tomava à consciência o ser histórico. A terra ainda fazia seu movimento de rotação, translação, revolução. Mas as estações haviam perdido a sua razão de ser. Era o momento em que se encontravam as razões para o processo em si. A ideia de que se caminha para o Paraíso há pouco se perdera. A revolução não é mais retomar ao início, porque o início não mais importa. O exato momento em que se ri do passado; no qual não há processo e sim ruptura. O antes seria superado para a realização de um marco futuro. O espaço pleno das utopias.
“Sé que todo va a estar bien
Lo qué no sé es se sobreviviré
Sé que todo va a estar bien
Lo qué no sé es se yo me salvaré”
o dia em que eu o encontrei
“São aqueles que vêm do nada
e partem para lugar nenhum.
Alguém que aparece de repente,
que ninguém sabe de onde veio nem para onde vai
A man out of nowhere.”
(Nelson Brissac Peixoto: Cenários em Ruínas)
O dia que eu encontrei o homem da minha vida.
Ele tinha os olhos pequenos e o cabelo bagunçado.
Usava jeans e camiseta.
De tão inteligente poderia falar sobre qualquer coisa this world
E conheceria qualquer coisa.
E teria piadas para todas as situações.
E filmes.
E nada.
E poderia ser o melhor em tudo.
E até o que havia de pior dentro dele eu não me recusava a conhecer.
E entenderia.
Inventaria horas só para que seu dia fosse maior.
Mesmo que a tristeza fosse mais profunda.
De tão distante e sozinho eu nunca pediria nada em troca.
E não importaria.
E isso não era (des)amor ou falta de amor próprio.
Só era.
E é certo que cada um vê a vida da forma como quer.
E é feliz como é.
O dia que eu encontrei o homem da minha vida.
Ele tinha os olhos pequenos e o cabelo bagunçado.
Usava jeans e camiseta.
Acho que era a pessoa mais triste this world.
E parecia que era minha aquela solidão.
De tão lindo poderia ser o que quisesse ser.
E seria qualquer coisa.
E teria explicações para todas situações.
E sonhos.
Só precisava querer.
Ele decidiu partir.
Pediu para que eu não o seguisse.
E aquela garota a que eu poderia chamar de eu.
Nada mais poderia fazer.
Ainda que em sonho desejasse todo o bem do mundo a ele.