Sempre que escrevo um poema, um poeta de verdade se remexe no túmulo, por dor ou por pena

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

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Não sei se a minha vida é uma tragédia de Shakespeare
Ou um filme do Woody Allen
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amor marginal

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Você poderia só me levar para sua casa
E foder comigo a noite inteira

Pra calar o sexo mais banal
Pra virar poesia
              [poesia pura, você escreveria]
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em Minas não tem mar

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veio como tormenta
nos meus dias monótonos e calmos
veio como vento que dilacera
o vago caminhar dos meus tristes passos

quisera fosse outro
e que seus braços pudessem encontrar os meus

quisera não houvesse um uni(verso) ocre
em tudo que o sertão envolve

eu agora
barco sem rumo em busca de cais
se faltar a paz
(não mais) Minas Gerais
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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Tomo,
por uns breves minutos desisto
imagino a água entrando pelos bolsos
o ar findo
imagino o sangue escorrendo pelo torso

Não fosse o medo do depois
já teria dado cabo nessa vida
Mas o que me dirá do vazio?

Gélido, incolor, restrito?
Só por isso insisto

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

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o vento assoviando passa pelo vidro da janela
décimo primeiro andar
luzes da cidade
            [coração solar?

dois corpos estirados na cama, inertes
                             [ um sentir rarefeito



não sei se me lembro
o que te ouvi dizer à noite
luzes da cidade
décimo primeiro andar


( és presente como um vento que corre entre portas abertas )
hilda hilst
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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Memória (in)voluntária I

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Frio na barriga
Memória involuntária

Se desse
construía uma Brasília a cada quatro anos
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segunda-feira, 17 de julho de 2017

antes de agosto

Ontem quando o avião embarcou, tive medo de morrer
Não sei se foi porque pareceu por muito tempo que estávamos próximos demais do mar
Ou se foi porque pela primeira vez parecia que eu tinha algo a perder





"Déjame que funda tu pecho en mi pecho
Volveré a pintar de colores el cielo
Haré que olvides una vez el mundo entero"