Sempre que escrevo um poema, um poeta de verdade se remexe no túmulo, por dor ou por pena

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

segunda-feira, 17 de julho de 2017

antes de agosto

Ontem quando o avião embarcou, tive medo de morrer
Não sei se foi porque pareceu por muito tempo que estávamos próximos demais do mar
Ou se foi porque pela primeira vez parecia que eu tinha algo a perder





"Déjame que funda tu pecho en mi pecho
Volveré a pintar de colores el cielo
Haré que olvides una vez el mundo entero"

domingo, 25 de junho de 2017

Antes,
ao término de um relacionamento,
eu só enchia a cara e discutia reduzindo tudo a duas ou três palavras chulas numa mesa de bar,
como ensinou Caio Fernando.

Hoje,
a bebida ataca o fígado.

Termino e preciso me contentar apenas com um chá de boldo.
Amargo,

como a vida.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

E a rima? 
Que rima?
Longe de você nem rabisco, nem sinto.
Minto.  

Pecado é lhe deixar de molho

Eu já não sei mais de cor
Todos os poemas que eu quis te escrever
Nem todas as músicas que eu quis que você ouvisse
Nem os livros (cuidadosamente grifados) que eu quis que você lesse,

Eu já não sei mais de cor
Todas as penas que passei
Nem todos suspiros que dei    
Nem os momentos (cuidadosamente programados) que eu te encontrei.

Eu já não sei mais
Se o que lembro é de cor
Ou se foi (cuidadosamente) alterado
Para encontrar em qualquer brecha
                                                               resquício
                                                               interstício
Um motivo para continuar essa loucura

Amar cura?


(vou lhe botar num altar na certeza de não apressar o mundo ... )

terça-feira, 12 de julho de 2016

Você pode descer desse bonde
E só me acompanhar
“Se é o chão que te segura, deixa o chão desmoronar”


“O que vale nessa vida tem um pouco do seu jeito /Jeito do seu corpo, jeito do seu pensamento [...] /Do seu jeito de falar tranquilo


Quando perto de você a própria confusão se ajeita bem”

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

um (dois) bilhetinho (s)



Faz um tempo recebi um bilhetinho
Papel solto nas minhas coisas
Palavras de uma pequena declaração

Li
(Re)li
Tentei identificar a letra

Fiquei fazendo retrospectiva
Procurado uma pista, desencanei
Joguei o bilhetinho fora
Achei que não era pra mim

Esses dias descobri
Que o bilhetinho estava no lugar certo
E que o amor é isso que passa enquanto a gente acha que não é com a gente


(Ganhei outro bilhetinho)