Sempre que escrevo um poema, um poeta de verdade se remexe no túmulo, por dor ou por pena

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

• santa chuva

    Escrivaninha, mesa de computador, cama, guarda roupa, cômoda, três bancos, all star’s pelo chão, fotos e recortes de jornais em todas as partes do quarto, três, TRÊS mapas espalhados pelas paredes, alguns rabiscos na parede branca, dois calendários e uma estante de livros na parede azul, um esqueleto e medalhas atrás da porta. Na escrivaninha um som, que nunca fica desligado, três bolinhas de malabares ( rosa, amarela e roxa ), um dicionário para emergências e uma pequena caixa com canetas e marcadores de página que ela nunca ousou usar, e alguns presentes do México e de Portugal, espalhados 48 lápis de cor sendo o preto o menor deles. Algumas folhas sulfites. E idéias que não chegavam a encontrar o papel, nem se quer para rabiscar. Lá fora a chuva, de novo e de novo.
    O cabelo bagunçado, de pijama e meia, com uma unha rosa escura e outra rosa clara e com glitter . Engraçado.
    Engraçado também o quanto ela envelheceu de uns tempos pra cá. Os 6 kilos a menos também fizeram a diferença. O cabelo mais curto nem tanto, já que parecia estar grande demais, mais uma vez. Os pensamentos mudaram, as idéias e os ideais. A promessa de um novo ano sem sofrimentos ainda não tinha sido cumprida, não ao pé da letra. Ainda.
    Você tem certeza disso ? Claro que sim! Então não para de remar que eu não paro também. E a gente vê até onde isso vai dar [ ... ] Uma casa no campo, só para fugir da correria da cidade às vezes. Pelo menos um final de semana em um mês, que seja em um ano, só para nós. Cinema, peças de teatro. De vez em quando, mas só de vez em quando, discutir sobre História ou Literatura, que é para não ter briga. Porque eu sei que nenhum de nós daria o braço a torcer. E, claro, claro que teríamos as brigas de casais que acabariam em ... ! Viagens inesperadas deixariam os nossos corações apertados, e trabalhos de faculdade ou da escola tomariam nosso tempo. O tempo que a gente nem sabe se tem .
    Ainda não sabe o que desenhar, talvez um barco a deriva, esperando um porto.
    Nossos filhos, deixa eu ver. Dois no máximo, e que sejam inteligentes ou pelo menos esforçados, porque não tenho paciência com gente burra. Mas isso beeem pra frente. Uma biblioteca gigante na nossa casa e um papel de parede de mapa, por favor. Uma parede do nosso quarto vermelha e uma poltrona, sempre quis ter uma poltrona. Não precisa ser grande, a casa eu digo, mas que seja organizada. E nem pense em trocar alguma coisa de lugar, que seja um livro da estante, eu tenho problema com isso. Risos. E quanto a dormir com a luz acesa, eu sei que você não consegue, então a gente pode negociar. Nada de abobrinha batida no almoço, por favor, eu sei.
    Ria das invenções que fazia, a chuva continuava a cair e lembrava uma música ... e reza ajuda de Deus, mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim ♪ ... De repente o telefone tocou. Na mente fantasia.

.
você me ligou
naquela tarde vazia
e me valeu o dia ♪ '

4 comentários:

Isa disse...

só pra dizer que eu chorei com isso.

Yo disse...

Suh... vc escreve MUITO cara! é, realmente Isa... dá pra chorar! :(

lucas.olireis disse...

que texto lindo, parabéns garota'

Suh; Rei Sol, conhece? disse...

eu gosto do final...